Título: Um Presente para Cléo;
Autor(a): Jariane Ribeiro;
Editora: Amazon (Publicação Independente);
Número de Páginas: 118;
Ano de Lançamento: 2017.

Foto:
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Cléo Nunes quer mudar de vida e o primeiro passo é parar de sentir medo de sua tia Dionísia e a aceitar o pavoroso nome que lhe deram, assim como calçar número quarenta e ser viciada em sapatos de liquidação.
A mudança começa em um emprego temporário que envolve uma chefe que gosta de axé e de empreendimentos exóticos, mas e se, de repente, no meio de tudo isso, a origem de alguns de seus muitos problemas surgisse, ainda com cara de cafajeste e disposto a esclarecer as interrogações do relacionamento que deu errado?
Um contrato é assinado e a cláusula principal diz que Cléo tem que aceitar colocar um ponto final no relacionamento com Theo.
Muita coisa pode acontecer, mágoas ressurgirem, paixão e a receita perfeita que resultará em confusão e em um presente pra lá de inesperado.

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Minha Opinião:

E voltamos com mais uma resenha da fofíssima Jariane Ribeiro! Dessa vez, de um livro mais voltado ao chick-lit que tem como protagonista a confeiteira Cléo rumo a independência de sua carreira em meio a eventuais dilemas amorosos que perduram desde uma relação um tanto quanto inacabada da jovem com Theo, com quem já não se encontra há dois meses desde o término e que, agora, através de um trabalho extra de Natal como Papai e Mamãe Noel, eles precisarão encarar um ao outro e decidirem se dão uma nova chance ao romance ou colocam um ponto final de vez na relação.

A história por si só já começa com um clima levemente descontraído, ainda que por entre uma eventual discussão de Cléo com os pais e a tia ao recusar-se de ficar responsável pela comida durante a reunião da família no Natal. Disposta a não ceder mais às insistência dos familiares, Cleanira, ou como ela simplesmente prefere, Cléo, está decidida a passar o Natal sozinha ou ao menos com a melhor amiga, Bianca, na tentativa de começar a tomar as próprias decisões e fugir um pouco mais das rédeas dos pais, no auge dos seus vinte e cinco anos. De cara a narrativa em primeira pessoa por ela começa leve e divertida em meio aos seus comentários e pensamentos diversos sobre os mais variados tipos de doces, tão apaixonada por confeitaria, recebendo então o incentivo de Bianca para que venha a abrir seu próprio negócio, uma vez que suas habilidades na cozinha são inegáveis.

“Todo mundo se diverte nas noites de sábado, mas o estilo Cléo de sábado se constitui em fazer comida que não consigo comer sozinha e ver programas de culinária com chefs de cozinha malucos e mandões.”

A insegurança, porém, é um traço da jovem que a vem privando de realizar sonhos como esse, da mesma forma que, também, impediu-a de insistir no relacionamento com Theo, com quem terminara dois meses atrás, ainda que a teimosia também não a deixe procurá-lo para consertar as coisas como seu coração, lá no fundo, almeja, por mais que ela se negue. Acontece que, atenciosa e amiga como ela bem é, acaba conseguindo um novo emprego que, no entanto, a coloca como encarregada de interpretar a Mamãe Noel durante três dias de Natal no shopping onde trabalha, sabendo muito tarde, no entanto, que teria de dividir as atenções com o próprio Theo, que não vê desde o término, mas que não demora a reacender as borboletas em sua barriga e trazer à tona velhos sentimentos e dilemas antigos já na primeira conversa.

Cléo por si só é uma protagonista meiga e divertida, por mais teimosa que possa ser quando relacionado à seu passado com Theo, mas uma moça certamente dedicada e cujo talento na cozinha e, principalmente, com os doces, é latente, e não demorou até que eu me visse simpatizando facilmente com ela já nos primeiros capítulos do livro. Theo, da mesma forma, encanta logo na primeira cena em que aparece, com seu jeitão meio descontraído e relaxado, meio sarcástico e vez ou outra provocando Cléo na tentativa de amenizar o clima entre eles, ainda que o resultado acabe sendo contrário e irritando ainda mais a moça - ou assim é o que ela alega que acontece, pelo menos. Ainda que ele não seja o tipo de mocinho que mais gosto, foi inevitável simpatizar com ele também e acabar torcendo pelo casal que não demora muito a mostrar que tem uma química fortíssima mas insistentemente ignorada pela garota.

“Ele tem gosto de saudade, felicidade e de algo tão bom quanto creme de leite fresco virando chantili.”

Antes do romance fofinho e doce propriamente dito, porém, o relacionamento de Cléo e Theo acaba servindo como pano de fundo para a autora abordar algumas questões importantes e, infelizmente, ainda tão presentes nos dias de hoje, que são o racismo e preconceitos diversos para com algumas pessoas. Cléo vem de uma família de classe média, diferentemente de Theo que, além de ser negro, vem de uma família mais humilde que mora em um subúrbio, sendo, aos olhos dos pais da moça, incompatível com ela desde os quesitos sociais até os de cor, levando as opiniões da família, após uma noite em particular conhecendo o rapaz, a acabarem por gerar conflito no relacionamento deles, principalmente quando a própria Cléo sente-se insegura e receosa de ver o namorado ser tratado de tal forma pelos seus pais e tem o ímpeto de terminar com ele, por mais que o ame, só para não vê-lo se submeter aos julgamentos de sua família.

“Por que o amor não é fácil como nos livros? Basta vencer o vilão e pronto, felizes para sempre. Por que as pessoas do filme da Cléo tem que serem preconceituosas e separar todos por classe social e cor? E o mais importante: por que eu não tenho a droga da coragem de jogar tudo para o alto e ser feliz?”

Esse foi um dos pontos que mais me chamou a atenção em Um Presente para Cléo, por incitar o debate de um tema tão importante que, infelizmente, continua presente na atualidade. Daí começam a partir reflexões diversas de que o amor não está limitado a qualquer diferença de cor, tomando o casal como base para mostrar que, por maiores que sejam as diferenças, mesmo no quesito social em geral, não são motivos para separar-se de alguém e, portanto, ser mais do que válido prosseguir no relacionamento com ou sem essas diferenças. Porque, no fim das contas, o social, a cor, a língua, nada disso importa quando o amor já se faz presente e é o que realmente move um casal, apesar dos eventuais obstáculos do dia-a-dia.

Juntamente com isso, porém, ainda, temos também um pouco sobre autoconhecimento, quando percebemos que, além dos dilemas envolvendo Theo, Cléo também hesita perante questões mais pessoais como a independência trabalhista com a qual ela tanto sonha mas que ainda não teve coragem de fazer sair do papel. O sonho de montar sua própria confeitaria é antigo, mas só após alguns novos incentivos da melhor amiga que ela se verá precisando encarar de verdade esse sonho para fazê-lo realizar-se, enfim, ainda que com a eventual insegurança de essa jornada não dar certo e acabar indo por água abaixo antes mesmo de começar. É nesse meio tempo que a autora também trata sobre a necessidade de precisarmos encarar nossos próprios medos e inseguranças em prol da realização de um objetivo antes de nos entregarmos por completo à alguém, pois se não enfrentamos a nós mesmos e buscamos aquilo que sonhamos, como poderemos nos entregar e amar plenamente outra pessoa? É um dilema do qual Cléo precisará parar de fugir se quiser dar uma chance ao seu amor também.

“Quanto ao amor, bem, eu o joguei pela janela junto com cupcakes e uma carta. Primeiro tenho que aprender a ser forte e depois achar alguém para ser forte e realizar sonhos ao meu lado, mas jamais em meu lugar.”

Os demais personagens presentes no enredo também marcam presenças muito boas, tomando como destaque Bianca, melhor amiga da Cléo e responsável por dar-lhe alguns puxões de orelha e acordá-la para vida quando a vê prestes a deixar uma boa oportunidade de algo passar, bem como Norminha, então chefe da loja onde Cléo passa a trabalhar, responsável indiretamente por reunir Cléo e Theo durante algumas noites antes do Natal como Papai e Mamãe Noel dentro do shopping onde fica sua loja. Até mesmo a Dionísia, tia da Cléo, consegue se destacar, ainda que não possa dizer exatamente porque, além de, inicialmente, eventuais irritações provocadas por ela no início.

Enfim, tido como o primeiro lançamento de Jariane Ribeiro nesse ano de 2017, Um Presente para Cléo é um chick-lit curtinho e leve com uma narrativa e personagens que rapidamente envolvem o leitor por entre o romance a ser resolvido entre os protagonistas, em meio a discussões válidas sobre o que importa de verdade em um relacionamento e que diferenças raciais ou sociais são apenas desculpas para quem não ousa arriscar-se, enfim, nessa aventura intensa e cheia de surpresas que é o amor. Recomendo demais a leitura!

2 Comentários

  1. Que resenha linda ♥ A primeira da Cléo. Fiquei tão feliz ^^ Muito obrigada!

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  2. Olá!
    Não leio muitos chick-lits, mas sempre que leio, acabo gostando. Eles tem um ritmo super leve e gostoso de ler, quando você vai ver... o livro acabou!
    Parabéns pela resenha super bem feita e completa <3

    Beijão
    Leitora Cretina

    ResponderExcluir

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