Título: Lola e o Garoto da Casa ao Lado;
Trilogia: Anna, Lola & Isla #2;
Autor(a): Stephanie Perkins;
Editora: Novo Conceito;
Número de Páginas: 288;
Ano de Lançamento: 2012.
Livro no Skoob

Foto:
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A designer-revelação Lola Nolan não acredita em moda… ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar de o estilo de Lola ser ultrajante, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado roqueiro gostoso) até os gêmeos Bell, Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro.
Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da porta ao lado.

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Minha Opinião:

Foi em 2013 que tive meu primeiro contato com a escrita de Stephanie Perkins, através do livro Anna e o Beijo Francês. De cara, foi uma leitura fluida e leve que acabou virando um dos favoritos daquele ano, e logo o primeiro de uma espécie de trilogia - ainda que não oficialmente - onde cada livro se passava em um lugar e focando numa protagonista diferente. Anna tivera seu momento de brilhar e contar sua história enquanto terminou o ensino médio na França, e agora é a vez de Lola contar a sua própria nos Estados Unidos, mais especificamente no bairro do Castro, na Califórnia, cuja minha opinião final vocês conferem logo a seguir.

Dolores Nolan, ou simplesmente Lola, é uma adolescente cheia de estilo e criatividade conhecida pelos trajes extravagantes que cria, assumindo cada dia um modelito diferente com o qual, felizmente, todos os demais ao seu redor estão acostumados e sendo, então, sua marca registrada. Tem como pais o casal gay Nathan e Andy, uma vez que a mãe biológica, Norah, não é nem um pouco convencional ou sequer instável na vida, vira e mexe sendo despejada de seu apartamento. Lola também namora Max, cantor de uma banda ainda em fase de ascensão e não muito (para não dizer nada) aceito pelos pais da garota que mais desejam é ver essa relação terminar em algum momento, tanto por o acharem uma má influência quanto, principalmente, pela diferença de cinco anos de idade entre ela e ele. Apesar disso, a vida seguia tranquila para Lola, até o dia em que ela se depara com a casa ao lado recebendo a mudança dos que viriam a ser os novos vizinhos. Mais tarde, porém, ela descobre que esses vizinhos não são tão novos assim mas, simplesmente, a família Bell trazendo os gêmeos de sua infância à tira-colo, os únicos de quem ela gostaria de continuar mantendo total distância em sua vida.

“— Desculpe pela semana passada. Quando voltei atrasada do jantar.
Ela balança a cabeça.
— Não é disso que estou falando.
— É de que, então?
Anna olha atentamente para mim.
— Às vezes, um erro não é um ‘quê’. É um ‘quem’.” 

A primeira vez em que tentei ler Lola, na verdade, foi no final de 2015. Havia sido uma tentativa em e-book ainda, que acabou não fluindo tanto quanto eu esperava e ela foi pausada e adiada para um outro momento visivelmente mais propício para ela. No início de 2016, então, ganhei o exemplar físico do livro em uma promoção, e quase cheguei a recomeçar a leitura após recebê-lo, mas a lembrança da leitura não tão animadora de alguns meses atrás ainda estava forte e acabei adiando-a novamente, até que, enfim, peguei-a para ler em Janeiro desse ano de 2017 e, ainda que só tenha terminado mesmo em Fevereiro, a leitura se seguiu visivelmente melhor do que na primeira tentativa. 

Ainda assim, fato é que, no geral, Lola e o Garoto da Casa ao Lado não tem o mesmo ritmo empolgante e fluido de Anna, ao menos na minha experiência e opinião, de forma que os primeiros capítulos do livro voltaram a avançar no mesmo ritmo arrastado de outrora, tendo sido necessário que eu insistisse um pouco para a leitura engatar. Felizmente, dessa vez, isso não demorou muito mais a acontecer, e ainda que não tenha conseguido me envolver por completo pelo enredo, simpatizei bem mais com Lola dessa vez. Ela é uma garota tranquila, de personalidade leve e eu diria até comum, digamos, ainda que tenha um jeito meio excêntrico e descontraído ao se vestir com tantas cores e combinações, sem importar-se com a opinião alheia, revelando, porém, nesse ponto, ser uma grande designer sempre em busca de looks inovadores. Apesar desse visual visivelmente inusitado, no entanto, não deixa de ser uma adolescente como outra qualquer, sendo, inclusive, uma boa filha, boa estudante e boa amiga. 

“— Só que isso é algo que você tem que descobrir por conta própria. Não posso responder por você, ninguém pode.
— Ah.
— Lola. — Ele vem arrastando a cadeira até mim. — Sei que as coisas estão uma merda neste momento. E, em nome da amizade e da total transparência, revelo que passei por algo similar ano passado. Quando conheci a Anna, eu estava com outra pessoa. E levou um bom tempo até eu encontrar coragem para fazer o que era preciso, doesse a quem doesse. Mas é preciso fazer.
Engulo em seco.
— E o que é preciso fazer?
— Você tem quer honesta consigo mesma.” 

No outro extremo da narrativa, porém, temos os gêmeos Bell, que logo descobrimos terem marcado muita presença na infância da protagonista, mas que devido a um mal entendido desapareceram de sua vida com a mesma velocidade que, em seguida, ela desejou que eles o fizessem. Agora, de volta ao Castro, suas presenças voltam a atordoar um pouco o dia-a-dia até então tranquilo de Lola. Cricket, em especial, é o gêmeo que mais cativa e mais parece querer voltar a ser presente na vida da garota. Ele é um garoto meigo, atencioso e muitíssimo inteligente, com mania de inventor, o que acabou rendendo-lhe uma entrada antecipada na faculdade, além de que fora o melhor amigo da garota na infância, mas cuja presença forte acabou por ser anulada após um mal entendido envolvendo a irmã gêmea do garoto, Caliope. Esta, por outro lado, é patinadora profissional, e a família vive em função dela de tal forma que os sonhos e objetivos pessoais do irmão foram, por muito tempo, adiados em prol dos dela, vez ou outra mudando-se de cidade à medida que mudava de treinador. Dessa forma, Caliope é um tanto quanto um empecilho na relação de Lola e Cricket desde que eram crianças, mas ele mesmo parece estar determinado a driblar a própria irmã e tentar se reaproximar o máximo possível de Lola outra vez.

Só que é bem no quesito amoroso do enredo que tive minha principal irritação durante a leitura. Max é o então namorado de Lola, já apresentado ao leitor no primeiro capítulo, dono de uma personalidade um pouco grosseira e irritadiça, com apenas alguns eventuais momentos de atenciosidade, mas por maiores que fossem as divagações apaixonadas da personagem para com ele, não consegui gostar nadinha dele, fazendo-me questionar, a cada vez que ele aparecia ou era mencionado, o porquê cargas d'água uma garota tão legal como ela namorava um babaca tão grande. Esse, talvez, seja o único ponto em que a própria Lola parece falhar diante dos pais, que também não gostam da pose durona e um tanto relaxada do rapaz, e não demorou até que eu tomasse partido da opinião deles também e ficasse irritada pelo modo como a Lola agia, perante, principalmente, o Cricket, devido à presença tão desnecessária do Max. Foi nesse ponto em que a história me irritou e só não avançou mais rápido porque eu precisava de algumas pausas para digerir a presença do Max na história.

“— Então, você acredita em segunda chance? — Mordo o lábio.
— Segunda, terceira, quarta. O que for preciso. Por mais tempo que leve. Se for a pessoa certa — ele acrescenta.” 

Porque com a presença do Max, Cricket acaba não tendo muita chance de interagir com Lola logo de cara, principalmente pelos ciúmes extremos do rapaz que, por algumas vezes, inclusive, chega a parecer incomodar a garota, que, porém, continua do lado dele mesmo quando, ao longo da leitura, ela começa a ficar em dúvida sobre o que sente por ele, mas permanece afirmando que eles vão conseguir passar por essa 'turbulência' na relação e insistindo em mostrar aos pais que eles são um bom casal, quando na verdade eles passam bem longe dessa definição. E é perceptível que, apesar dos ciúmes, Max parece estar com Lola mais como se fosse por pura conveniência e bel prazer, o que quase o fez chegar ao posto de antagonista para mim, se não fosse a implicância natural que logo peguei de Caliope à princípio, mas, no fim das contas, Stephanie Perkins volta a reafirmar seus personagens como os humanos cheios de defeitos e em busca de acertar que, no fundo, todos bem somos. Assim, é por entre altos e baixos que digerimos as presenças desses dois, consequentemente aumentando ainda mais a torcida do leitor quanto ao Cricket, que não estava ali para ser apenas o par romântico da protagonista mas, ainda, para vencer os próprios fantasmas também e mesmo a ser, antes de tudo, um ombro amigo para Lola, coisa que ele tão bem fazia já desde que eles eram crianças.

Dessa forma, é inegável que Cricket tenha ganhado um lugar especial para mim também pela sua personalidade tão amável, atenciosa e solidária, ainda que St. Clair continue sendo o meu mocinho favorito de Perkins até agora. Ele e Anna, inclusive, marcam presença nesse volume também, uma vez que ambos trabalham na mesma bilheteria de cinema que Lola, e além de descontraírem bastante a leitura e deixar alguns suspiros no ar, tamanho o companheirismo e sincronicidade desse casal, eventualmente eles também são responsáveis por ajudar e aconselhar a Lola em meio ao seus conflitos pessoais e sentimentais, já que eles próprios passaram por bastante coisa no volume anterior. Então é com satisfação que, mesmo por entre eventuais altos e baixos na leitura aqui e ali, Lola e o Garoto da Casa ao Lado conclui-se, mais um enredo leve e jovem, sobre os dramas naturais da fase e recheado de personagens com os quais o leitor pode facilmente se identificar. Recomendo!

Um Comentário

  1. Oi Sammy!
    Eu gostei muito de ter lido esse livro, tive menos problemas com ele se comparar com Anna e o beijo francês... Eu achei a narrativa e romance arrastados em Anna, Lola foi melhor nisso pra mim. O Cricket é um amorzinho né?
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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