Imagem encontrada no Google, aqui.

Já havia tempo eu ouvia e lia comentários de pessoas diversas entre as redes sociais sobre os famosos doramas, mais especificamente os dramas coreanos, ou simplesmente k-dramas, mas até então, por mais elogiosas que fossem as opiniões, eu nunca havia parado para assistir um de verdade por, de certa forma, não estar acostumada ao estilo e acabar estranhando o tipo de enredo e atuações. Mas... sabem de uma coisa? Fico me perguntando agora como não os conheci antes. 

Indagações como essa à parte, foi no mês de Abril desse ano que finalmente parei para dar uma chance à eles e, ainda que tenha, sim, recebido indicações de por quais começar a ver o formato, acabei esquecendo delas e, perambulando despretensiosamente pela Netflix, como tanto gosto de fazer de vez em quando, encontrei alguns títulos que conseguiram me chamar mais ainda a atenção, e irei falar sobre um deles hoje, que acabou não apenas prendendo minha atenção como, ainda, virando um verdadeiro favorito, chamado D-Day.


D-Day (디데이) é um drama coreano exibido originalmente entre Setembro à Novembro de 2015 pelo canal sul-coreano jTBC, e que centraliza o enredo no grandioso e famoso Hospital Mirae, em Seul, e sua equipe de médicos principais. Em especial, nosso protagonista Lee Hae-sung, então cirurgião e particularmente conhecido pelos colegas como o médico que mais se arrisca dentro da instituição, que carrega processos diversos nas costas simplesmente pela sua filosofia de fazer de tudo para salvar qualquer paciente, motivo pelo o qual é muito admirado por vários mas também odiado por outros, como é o caso do Diretor Park Gun, que logo no início do drama, após enfrentar novos conflitos com o rapaz, acaba transferindo-o para um hospital mais esquecido do mesmo grupo Mirae, o Hangang Mirae, juntamente com a mãe dele, que está em coma há quase dois anos. 

É com relutância que ele segue a ordem, mas nunca deixando-se abalar por completo e continua firme à dar o seu melhor como médico. O que ninguém esperava nesse meio tempo é um repentino terremoto de escala 6,5 que acaba por atingir a cidade e pôr a Seul  pacata de outrora em um verdadeiro estado de calamidade, principalmente à medida que cada vez mais vítimas são feitas e vêm à tona, colocando não apenas o Dr. Lee mas toda a sua equipe e demais médicos e enfermeiros do Hospital Mirae à prova para salvar o maior número de vítimas possíveis enquanto, ao mesmo tempo, cada um deles também enfrenta suas próprias lutas e conflitos internos. 

Antes de mais nada, sim, minha gente, como vocês devem ter percebido por essa breve sinopse, D-Day trata-se principalmente de um drama médico tendo o terremoto como o desastre que vai desencadear toda a trama ao redor não apenas das vítimas em si, como dos próprios médicos disponíveis para tratá-las. São 20 episódios que começam com um clima quase leve e corriqueiro até, já no segundo episódio, eclodir o terremoto e alternar em doses diversas de tensão, sofrimento e adrenalina que me prenderam de forma única.

Eu já tinha me deparado com esse dorama algumas vezes antes na própria Netflix, mas o tema médico e a classificação de 16 me levavam a crer que as cenas deviam ser das mais pesadas possíveis, e por não gostar muito desse ambiente médico, acabava ignorando, até começar a ver o primeiro episódio como quem não quer nada, e perceber que era até mais leve do que eu imaginei. Já aviso, para quem também é sensível com esse tipo de cena, que o sangue está presente mais nas cenas de cirurgias - que não são tão poucas, é algo que acontece bastante no seriado, dado o estado crítico de vários pacientes -, mas fora elas, o foco do drama acaba sendo os conflitos internos dos personagens principais nos mais diversos âmbitos, sejam eles o profissional, o familiar, o pessoal e mesmo até o amoroso

Começando pela equipe médica em si, já deixo registrado o quão admirada e apaixonada eu fiquei com a atuação do Kim Young-Kwang no papel do Dr. Lee. Nosso então protagonista é de uma personalidade arredia que pode soar prepotente para alguns, quando no fim das contas é resultado apenas do desejo máximo do rapaz em salvar todos aqueles ao seu redor, muitas vezes esquecendo-se até de si próprio e em alguns momentos correndo certos riscos em prol dos demais. Um personagem que cativou-me demais durante o drama e pelo qual torci tanto para que ultrapasse os obstáculos que eventualmente surgiam em seu caminho - e não foram poucos. Além dele, temos também a que poderia ser a segunda protagonista do enredo, Jung Ddol-mi, inicialmente residente do terceiro ano de ortopedia, que chega por acaso à Seul trazendo um paciente encaminhado de Busan, sua cidade natal, e que acaba ficando no Mirae após o terremoto. É uma jovem determinada, mas visivelmente receosa de arriscar na profissão, motivo que conturba um pouco seu primeiro contato com o Dr. Lee, que, no entanto, acaba contribuindo para o crescimento de sua confiança ao integrá-la em sua equipe e, mais tarde, levando-a a se arriscar um pouco mais também em prol dos pacientes. Depois do Dr. Lee, foi uma personagem que muito me cativou, tanto pela sua força de vontade e real competência como médica, como por, ainda, servir de porto seguro e apoio para o Hae-sung em vários momentos, até, afinal, me fazer admirar, também, a atuação de Jung So-min assim como a do ator anterior.

Crédito de onde achei o Gif: aqui.

Além deles, outros personagens são inseridos no elenco principal, desde a enfermeira Park Ji-Na, colega do Dr. Lee há tempos e uma moça igualmente determinada e que não mede esforços para fazer justiça, mesmo quando coloca sua própria posição em risco, como também o Dr. Han, renomado cirurgião do Mirae, braço direito do Diretor Park, e especializado em cirurgias oncológicas robóticas e que, porém, tem uma certa rivalidade com o Dr. Lee por não concordar com seus métodos cirúrgicos, realizados sem qualquer exame antes dependendo da gravidade e urgência do caso; Dra. Kang, a enfermeira-chefe do setor de emergência do hospital, também é outra personagem muito presente e notável na trama, seja por balancear os ânimos com a equipe até tomar algumas decisões delicadas e mesmo quando passa por uma situação pessoal difícil e sofrível ao se perder do próprio filho durante o terremoto, mas não se abalar e, ao mesmo tempo em que as buscas seguem por ele, permanece trabalhando à todo vapor no Mirae, por mais destruído que seu coração esteja, até chegar no principal antagonista da trama, o Diretor Park, neurocirurgião, mas ambicioso e manipulador de tal forma a colocar a imagem do hospital, os lucros e sua própria posição acima do bem-estar de seus pacientes, o que o coloca de frente para o Dr. Lee em diversos embates que causam verdadeira instabilidade na carreira do rapaz, além de vários outros personagens como o Dr. Yoo, Dr. Ahn, Dra. So-yul, Dr. Woo, dentre outros igualmente importantes cada um a seu modo.

Ainda que seja um dos primeiros k-dramas que assisti, já considero como um dos melhores simplesmente pela gama de temas e abordagens que ele tem. Tendo o hospital no centro do enredo e muitas questões médicas por serem constantemente colocadas à prova e discutidas, o drama fala muito sobre os limites dessa linda mas delicada profissão. Se de um lado temos os médicos realmente preocupados com seus pacientes e que estão dispostos a tudo por sua melhora, do outro lado também temos alguns que cooperam justamente para o contrário, que visam seu benefício próprio e só sabem enxergar números e posições quando a vida humana é que deveria ser valorizada mas acaba sendo descartada como nada, no que eles defendem como sacrífico necessário para ir além no que almejam. Nesse ponto, também se coloca em cheque o limite entre a ética e o extremo de cada caso avaliado, quando médicos como o Dr. Lee não desistem e verdadeiros milagres acabam por acontecer em alguns momentos, enquanto que em outros personagens como ele tem que rever a situação e aceitar a derradeira realidade de que não é possível, afinal, salvar exatamente à todos. 

Como se isso já não fosse um baita plot e já tivesse me cativado tanto, o drama também tem lá seus momentos breves de descontração entre os personagens, tendo espaço, ainda, para o romance, que, já aviso, passa longe de ser o foco da história, mas está presente da mesma forma em um total de pelo menos quatro casais que me cativaram de diferentes formas, sendo o principal, claro, formado pelo Hae-sung e a Ddol-mi, que acabam superando suas diferenças e encontrando força e suporte um no outro para passar não apenas pela tensão que rola solta na situação, mas ainda em seus interiores. 

Além dos médicos, também, não posso deixar de comentar, por fim, sobre os bombeiros, que poderiam passar despercebidos em outras tramas, mas que felizmente ganham um destaque muito merecido em D-Day e são retratados de forma tão bonita e verdadeiramente heroica como os médicos, ao longo das diversas buscas realizadas pelos escombros do que um dia foram prédios em Seul. Capitão Choi, apesar do gênio arredio e bruto em alguns momentos, lidera sua equipe com uma humanidade tão intensa que eu sentia na pele as inseguranças e receios do personagem e seus colegas ao longo dos resgates e alguns obstáculos enfrentados diante do governo da cidade. Um de seus membros em especial acabou sendo protagonista de uma cena que me levou às lágrimas, mas que deixou registrado com ainda mais afinco a humanidade presente nessa equipe em particular e na mensagem principal do k-drama sobre a importância da vida humana e sobre sabermos dar valor àqueles que estão ao nosso redor, dentre tantas outras que só assistindo para entender e absorver uma a uma.

Tentei encontrar um trailer decente, mas não tinha nenhum, então fica essa cena rápida de um dos episódios só para ter uma noção inicial do nível da história - episódio 3, ou seja, está só começando...

Enfim, o post ficou gigante e me desculpem por isso, mas não dava para resumir a gama de sentimentos e opiniões acerca dessa história. D-Day começou de forma tão despretensiosa para mim, mas conseguiu me prender, chorar, rir, suspirar e emocionar de tantas formas, quando eu menos esperava, que não podia ter uma finalização diferente para esse post a não ser um grande "recomendo para todos que gostam de um drama médico", ou mesmo que não conheçam muito do estilo, mas queiram começar e, de quebra, se deparar com um enredo tão intrínseco e com um elenco que sabe como apresentar personagens bem desenvolvidos e aprofundados como qualquer ser humano na vida real

Beijos,
Sâmmy

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