Título: Tenshi - Um Anjo sem Asas;
Autor(a): Luciane Rangel & Ana Cláudia Coelho;
Editora: EraEclipse;
Número de Páginas: 300;
Ano de Lançamento: 2014.
Livro no Skoob

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Seria ele um anjo? 
Que outra explicação teria para aquele garoto surgir do nada em seu caminho, caído, ferido, frágil e desmemoriado, bem na noite de um tradicional festival?
Ao encontrá-lo, a possibilidade de ajudá-lo se torna um escape para Umi, uma adolescente que enfrenta no dia a dia as dificuldades de ser diferente.
E assim ela acaba, sem perceber, se envolvendo em um novo sentimento. Enquanto se esforça para descobrir quem é o misterioso garoto desmemoriado, os acontecimentos inesperados daquele verão também levam Umi a descobrir mais sobre si mesma.

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Minha Opinião:

À primeira vista, no auge dos traços ocidentais, longos cabelos loiros e os poucos mais de 1,63 cm de altura, Umi Matsuo parece ser japonesa apenas no nome, mas ela o é, apesar disso. Então adotada por um casal que há muito tempo desejavam serem pais, mas que não conseguiam engravidar de forma alguma, ela foi escolhida e acolhida como a filha que eles tanto sonharam. Na escola, apesar do eventual preconceito por ser uma 'gaijin', Umi recorre à amizade sempre constante de Kaori, com seu mal humor e rigidez costumeira, e Natsu, responsável por animar as amigas e ser a mais bela (além de modesta, rs) do grupo. Tudo transcorre como de costume no cotidiano da jovem Umi até, no entanto, ela encontrar, por acaso, um garoto desmaiado em uma rua deserta. Seu primeiro pensamento é que trata-de de um anjo, pela forma repentina com a qual ele surge, além da amnésia temporária que o acomete. Acolhendo-o como amigo, Umi espera descobrir a verdade sobre o misterioso rapaz e guiá-lo de volta até sua própria vida, sem perceber a brecha recém-aberta para o novo sentimento que surge com ele.

Ilustrado por Ana Cláudia Coelho, Tenshi foi o meu primeiro contato real com a escrita de Luciane Rangel em um universo que foge um pouco do costumeiro para mim. De forma não muito proposital, só então reparei que durante todo esse tempo como leitora costumava ler muito de cenários ocidentais, e não conhecia praticamente nada ainda no cenário oriental, o que começou a ser modificado com a leitura de Tenshi. Amante que é da cultura pop japonesa, a autora desenvolve o enredo e seus personagens em um país que mesmo distante do nosso conhecimento, é tão bem abordado e construído por ela no enredo que é quase como se estivéssemos junto aos personagens lá no Japão mesmo, durante a leitura. O primeiro capítulo por si só já se inicia com uma narrativa tão leve e descontraída que envolve o leitor sem grandes esforços logo de cara, e à medida que começa sob o ponto de vista em primeira pessoa pela própria Umi, também alterna narrações em terceira pessoa centralizando os demais personagens da trama, sobre os quais falarei logo a seguir.

“— Não tente ser o que você não é.”

A começar pela Umi, que mesmo com seu jeito doce e inocente, me irritou um pouco em alguns breves momentos pela sua demasiada ingenuidade e por sempre tirar algumas conclusões bem precipitadas ou no mínimo fantasiosas demais em alguns momentos, mas, apesar disso, é fato que a doçura permanece e cativa o leitor à medida que a leitura flui, por entre seus suspiros pelo professor Shimada e o dia-a-dia com suas amigas. Sua amizade desenvolvida logo em seguida com Aki, nosso então garoto desmemoriado, é divertida e inocente de um jeito tão delicado e bonito que suspirei por alguns momentos, principalmente quando ele próprio parecia ser mais a versão masculina da Umi, igualmente inocente e por vezes mais tímido do que ela, uma vez que a falta de memórias não o deixava saber como ele realmente era e costumava agir no dia-a-dia. Uma dupla particularmente meiga e divertida que, por entre alguns altos e baixos, muito me envolveu logo de início, bem a cara do primeiro e inocente amor de toda garota

As amigas de Umi, por outro lado, destacam-se de formas ainda mais diferenciadas que sua protagonista. Natsu provavelmente é aquela com quem muitos logo se identificam devido seu jeito mais descontraído e animado de ser, então a única popular do trio de amigas, que transita entre os diversos grupos escolares do colégio e que, apesar de irritar em alguns momentos por sua real falta de modéstia em várias situações, é uma boa amiga e conquista por seu carisma forte. Kaori, por sua vez, é um caso mais delicado. Reclusa e fechada como ela bem tem sido desde a morte dos pais quando pequena, é atualmente criada pelo irmão mais velho e então professor de Biologia, Shimada Hinoki, mas comumente foge da atenção deste para viver em seu próprio mundo de negatividade e reclusão, quando este não é invadido pela espontaneidade e alegria das amigas ou mesmo quando ela eventualmente se mete em alguma confusão. É uma personagem certamente difícil de se simpatizar, porque ela própria, por vezes, não parece gostar nem de si mesma, uma vez que se culpa um pouco pela morte dos pais, mas ainda que ela não tenha um real sentimento de amizade para com Umi e Natsu no início, é visível o progresso da personagem no decorrer da leitura, quando começa a se abrir um pouco, ao menos, o máximo que ela consegue primeiramente, e mesmo quando se permite fazer algumas novas e um tanto quanto improváveis amizades, como a de Katsura Yuurei, e me surpreendi ao, com o fim da leitura, tê-la como a minha personagem favorita de todo o livro.

“— O que entende de nome, gaijin? Nem um de verdade você tem.
— Mas eu tenho caráter de verdade, coisa que você não tem.”

Até então, os personagens por si só cumprem muito bem seus respectivos papéis, ainda que com eventuais altos e baixos por entre suas personalidades distintas e atitudes um tanto impulsivas de vez em quando, mas se a leitura já estava boa até então, o enredo propriamente dito e todo o mistério em torno de Aki só me conquistou ainda mais. A forma como o personagem surge e não lembra de nada à respeito nem mesmo de si própria, desconhecendo até o próprio nome, instiga o leitor cada vez mais a continuar com a leitura e descobrir o que ele teria passado para esquecer-se de tudo de uma forma tão intensa, e à medida que as peças do quebra-cabeça vão se encaixando é ainda mais chocante descobrir, ainda mais, quem estivera por trás de tudo. Quando a grande verdade vem à tona, a personalidade real de Aki começa a ser apresentada à medida que ele próprio se vê lembrando-se de tudo de novo, e admito que nesse ponto da história fiquei bem surpresa com o quão ele conseguiu me irritar ou mesmo enraivecer por mostrar, no fim das contas, que seu verdadeiro eu, até então, não era tão flor que se cheirasse como o Aki que estivera até então com Umi desde o início do livro. E chega a ser cômica a forma como Luciane consegue desenvolver o personagem de tal forma a criar duas personalidades tão distintas para ele de modo tão verdadeiro, mas ao mesmo tempo nos fazendo duvidar sobre quem, entre esses duas versões dele mesmo no enredo, Aki seria de verdade, e fica aqui o meu parabéns especial à autora por esse feito.

Uma pena que a fluência da narrativa não tenha permanecido durante toda a leitura; teve lá seus momentos de leitura mais lenta e quase arrastada, mas foram situações breves que podem ser relevadas com o decorrer da história e sua boa construção em geral. No fim das contas, Tenshi - Um Anjo sem Asas é uma leitura leve e divertida, bem ao estilo infanto-juvenil mesmo, que encanta pela doçura de alguns de seus personagens ao mesmo tempo em que surpreende e quase até mesmo choca o leitor pela seriedade, impulsividade e intensidade de outros. Quase até um shoujo em forma de livro, é uma leitura descontraída que entretém e deixa um gostinho de quero mais ao seu desfecho, principalmente quanto aos seus personagens secundários. Leitura recomendadíssima! 

Um Comentário

  1. Que resenha mais linda, Sammy! Muito obrigada!
    Fico muito feliz por você ter curtido a leitura de Tenshi <3
    Beijocas!

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Obrigada por ler o post!
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